Fora de Sincronia

Estive pensando sobre a vida que eu gostaria de ter, e como alcançá-la. Eu confesso ter uma abordagem bastante metódica para tal fim: quebrar a jornada em períodos menores e de fácil acompanhamento, estabelecer objetivos palpáveis e progressivos e etc. Por influências atuais*, decidi que chamaria este processo de “sincronização”: existe um eu no futuro que é quem eu quero ser e está onde eu quero estar. No entanto, cada objetivo que eu demoro a atingir ou me distancio e fracasso completamente, é um passo a mais para que eu “dessincronize” com este eu-futuro, e acabe sendo outra pessoa – que eu ainda não faço idéia de quem seja.

Várias perguntas vêm à mente, e eu acho que deve ser normal. Pode ser que eu não queira realmente ser quem eu ache que queira ser; pode ser que seja melhor ser outra pessoa. Bom, mas é aí que mora a beleza do processo dinâmico e iterativo da sincronização: caso, em algum dos passos, eu queira rever quem é o eu-futuro, eu posso redesenhá-lo e re-escrever meus objetivos a partir dali. Eu sou bastante flexível com relação a isso. Matrix fez um ótimo trabalhando nos fazendo pensar sobre se o fato de sabermos do futuro iria mudar alguma coisa. “Neo: Como você sabia? Oráculo: O que vai mesmo fazer seus miolos queimarem é… você teria quebrado se eu não tivesse dito nada?“. A única coisa que eu sou absolutamente rígido é com relação ao “caminho”. Eu quero que o meu caminho seja pavimentado com ouro, e não uma luz no fim do túnel nem um pote de ouro no fim do arco-íris, como eu ouço freqüentemente pessoas falando. E seguindo a minha metodologia de “quebrar a jornada em pedaços menores”, que citei no início do texto, eu começo com a minha semana. “Sair, numa terça-feira? Você tá louco?” não existe pra mim, e é assim que eu quero que seja. Ter data e hora certas somente daqui a cinco dias pra me divertir não faz parte dos meus planos. E, por favor, não entendam que eu pretendo ir pra farra sete dias por semana; isso seria pedir demais, e acabaríamos perdendo de sentir a preciosidade da diversão; eu imagino como sendo o dilema do Vampiro e sua imortalidade, mas isso fica prum outro texto. Impossibilidades são impossibilidades; mas dispensar a diversão na segunda ou na terça simplesmente por que “é segunda” ou “é terça”, não.

É essa a pessoa que eu quero ser. Uma pessoa que trabalha no que gosta e que pode sair numa terça-feira a noite sem maiores problemas. Ah, se eu ganhasse uma moeda pra cada um que me diz “e quem não quer?” mas gaguejam na tréplica “e o que você está fazendo pra isso?”. Eu sou apenas um homem que viu e ouviu milhões de pessoas que planejaram e dessincronizaram de seus eus-futuros nos tropeços do cotidiano e tem medo, muito medo, de ter o mesmo fim. Eu mesmo me vejo amarrado a uns três ou quatro emaranhados do dia-a-dia, e cá estou a lutar para deles me desvencilhar e continuar meu trajeto. Por observação, eu diria que os impecilhos mais comuns ao caminho desejado são namoros, empregos e família.

Mas nós, humanos, temos uma característica fantástica: o conformismo. Ironicamente, a única coisa com que os seres humanos parecem nunca se conformar é com o fato de que somos conformistas. Com o passar do tempo, aquele trabalho que não é exatamente o que nós queríamos passa a ser “ok”; nós vamos coletando argumentos para falar sobre como aceitar esse trabalho era necessário para isso ou para aquilo outro. Uma coisa que geralmente auxília bastante no conformismo é um problema maior do que temos. É a base da negociação: oferece-se um valor acima do normal, a outra parte corta o valor para chegar mais abaixo e fecha-se próximo do valor normal, e todos estão felizes. É como ter um trabalho que não satisfaz, depois ser demitido e passar um ano desempregado lutando por um emprego, e achar um outro um pouco pior, mas que agora, depois do desespero, parece ótimo.

Então, vamos viver. Quem seremos no futuro, provavelmente será quem queremos ser – mesmo que na base do conformismo. Mas, se eu puder fazer uma sugestão, vamos cotinuar tentando ser quem achamos que devemos ser 😉

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