Liberdade para Principiantes

A minha única intenção é fazer você pensar sobre o seu lugar no mundo.

Hoje eu estava na fila do banco, minutos antes dele abrir. Estava extremamente interessado no meu ambiente e nas pessoas nele, enquanto lia em Crime e Castigo os relatos de um indivíduo que estava extremamente desinteressado nas mesmas coisas.

Sorri.

Estava de bermudão bege, tênis all-star bege e uma camisa social rosa dobrada acima dos cotovelos, livro aberto, quietinho na fila que ainda não andava. As demonstrações mais óbvias de comportamento eram uma universal aos homens, que não distingue cor ou classe social: a vontade de passar na frente do outro; o desejo de ser o primeiro, a despeito de a quem tal título de direito seja. E foi aí que entrou um homem de meia-idade, roupas sociais que o carimbam como um emergente classe-média, meio frasco de gel despreocupado em disfarçar-se entre fios de cabelo no mais clássico estilo “mafioso italiano de hollywood”. Não bastasse tal óbvia marcação, o seu desprezo pelas outras pessoas na fila e pela fila em si o entregava como ferro quente em boi. Firmou-se distante da fila, tanto quanto pôde, e lá permaneceu, na sua própria fila individual, mostrando-se obviamente desatento aos problemas dos pobres ou honestos, tais como organização e estruturas sociais. Ora, não fizeram pois os poderosos as estruturas sociais unicamente para que eles as burlassem, mostrando-se, então, acima das intragáveis criaturas que a elas aderem? Não fazia este homem, então, mais que sua obrigação social, por mais paradoxal que a colocação seja. Em resumo, ele não agia em nome de sua vontade própria. Ele agia, apenas, indiferente aos outros, às estruturas, à sociedade… e à reflexão em si. Quem sabe, soubesse ele que é isso que dele se espera, não se sentisse ele um uniforme, um mais-um, um igual-a-outros-diferentes e, assim, agisse como os outros? Eu nunca vou saber, e saber não me interessa. Pensar já me sacia.

“Uniforme”, pensei de novo. Havia falado visando a uniformidade, mas percebi de novo que esses tais trajam estes uniformes que supõem livrar-lhes dos uniformes. Lá estão seus subordinados usando macacões estampados com nomes de empresas, ou camisas brancas de botão o pólos com estampas similares. Eles, enquanto isso, lá estão com suas camisas de manga longa de botões ensacadas, calças jeans e sapatos. Eu sorri de novo diante do pensamento, e soltei um leve riso. A mulher à minha frente olhou em minha direção, mas creio que julgou que eu ria do livro, quando eu estava há minutos fixando os olhos na mesma frase, e viajando em pensamentos diversos. Não sei se devo ou não sentir vergonha disso, mas meu primeiro pensamento foi o quão ridículo é sentir-se chique e superior usando calças jeans. Talvez eu fosse mais respeitado se usasse calças jeans ao invés deste bermudão, mas eu gosto tanto dele. Eu não sou uma democracia. Seria correto de mim julgar um indivíduo por ser quem se espera que ele seja? Eu não creio que seria. As pessoas não fazem coisas, elas apenas gostam de falar coisas. Lutar pela individualidade em textos de redes sociais é o passo mais largo de grande parte das pessoas; buscá-la nunca entrará nas prioridades de grande parte dos que o dizem. Mas, o que seriam dos que alcançam suas marcas de individualidade se todos alcançassem uma? É preciso perceber que só existe um herói quanto existe um vilão e/ou um mal.

A fila começa a andar e eu fecho o livro, e fecho este capítulo na minha cabeça.

Por favor, leitor, não me julgue preconceituoso. Eu não julgaria ninguém baseado em estereótipos! Mas o indivíduo deve conhecer-se e aceitar sua gama de experiências insufladas em imagens, se não em ações e palavras. Assim como se olha uma pedra preta e determina-se que ela é uma pedra e é preta, eu fiz também minha rede de conjecturas, menos concretas que tais propriedades da pedra. Talvez este homem não exista; talvez seja uma junção de idéias e experiências aleatórias na minha cabeça. Eu estaria bastante feliz em destruir fio a fio a teia que acabei de tecer, mediante diálogo com este fulano. Nunca iria julgá-lo de acordo com a minha própria suposição de quem ele é.

A minha única intenção é fazer você pensar sobre o seu lugar no mundo.

Cinco segundos

Ele olhou por sobre ombros e a viu ao longe, linda, como sempre fora.

Lá estava ele mais uma vez numa batalha consigo mesmo. Cinco minutos dentro dos seus pensamentos tirariam qualquer um do conforto da sanidade, mas ele sabia os caminhos – ou os ignorava por completo; por que não importa em que lugar de um labirinto você está, se você não se importa em sair.

Abaixou os olhos, olhou o copo em sua frente. Sorriu.

Foi um sorriso aparentemente sem sentido, mas ele já perdera o foco, de novo. Já se deslumbrava com a complexidade das suas idéias, com a briga eterna entre todas as facetas que ele incorporou, cuja soma formava seu Eu. Cada faceta derivada de um subconjunto de suas amizades, pois há muito ele havia se entregado por completo para elas. Era sempre engraçado perceber como ele tentava convencer a si mesmo de que não valia a pena, de que acabaria se dando mal.

O sorriso diminuiu, mostrando a todos o sorriso leve e pensativo de um rosto nostálgico.

Imaginava como ele poderia ser, de todas as maneiras como todas as pessoas podem ser, por que não há limites para a vontade. E como seria mais fácil se ele pudesse simplesmente fazer, sem pensar. Problemas… problemas são o de menos. Problemas podem ser resolvidos, mas o estado catatônico no qual se encontrava era muito, muito pior. Conseguia convencer a si mesmo de que não precisava passar por nada, pois nada fazer gera nada fazer. Não havia parado pra pensar que isto também se aplica às coisas boas da vida.

Parou agora. E pensou.

Seu rosto fechou-se novamente, dando lugar a uma expressão de preocupação.

Ou será que não? Ou será que a pressão de um milhão de idéias sobre as suas o estavam convencendo de que ele estava errado? Só podia estar! O mundo não pára, e todos caminham, todos avançam, todos fazem as coisas que querem fazer – ou pelo menos ele convenceu-se disso, embora soubesse estar absurdamente errado. Será que estava? Só podia estar! Mais um outro pensamento errado! E se estes o são, quais mais também não serão? O que mais ele achava ser certo, mas é, de fato, errado?

E a tristeza lhe tomou a face. Agarrou seu copo e levou-lhe aos lábios.

Olhou pra ela de novo, e ela parecia ainda mais linda do que cinco segundos atrás.

Mas ela não existe. Não existe mais.

Ela é uma idéia na sua mente, assim como foram tantas outras que nunca chegaram a ser mais do que idéias.

Nobody move, nobody get hurt, certo?

So, I’ve got a great idea:

I’m gonna wait right here.

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Oh, Alice…

O Verdadeiro Sorriso

“And love bit you in the throat while you were staring at the sea.”
(The Blood Brothers – Camouflage, Camouflage)

De quando em quando, no meio de alguma conversa, surge a afirmação de que “morar sozinho é solitário”. Hoje eu resolvi escrever um pouco sobre isso, por que, de fato, é uma coisa a ser analisada. Perceba: analisada. Eu, de maneira nenhuma, concordo com essa crença; mas não duvido que ela seja verdade para algumas pessoas. Mas então, como saber se eu irei me sentir solitário se for morar sozinho?

A minha resposta? Eu não faço a menor idéia. Mas eu creio que cada um saberia se iria sentir-se solitário (veja bem, você, ao morar sozinho, por definição, está sozinho; mas não solitário) ao morar sozinho. Parece ser uma coisa bem simples: você se sente solitário? Então, provavelmente, não irá mudar. Um indivíduo precisa conseguir viver bem consigo mesmo antes de pôr os pés fora do casulo e encarar a vida do outro lado.

Meus poucos momentos em casa são sempre ocupados, de um jeito ou de outro. Cozinhar, limpar a casa, comer, assistir algum filmes e séries, exercícios físicos, conversar na Internet, ler um livro, jogar World of Warcraft; isso ocupa as minhas noites. Se você não gosta de fazer essas coisas, então eu recomendo que arranje outras coisas para fazer. Realmente me parece absurdo decidir morar sozinho quando se acredita que será enfadonho e tedioso.

But, Alice, where’s your tongue?

É difícil. Não digo sobre “sentir-se bem sozinho”, isso é fácil; o difícil é convencer algumas pessoas disso. Claro que você não precisa convencer ninguém disso, mas, por vezes, é muito irritante. São várias as fontes da suspeita de seu tédio e da ojeriza ao seu estilo-de-vida, mas quase sempre vem daquelas pessoas que não conseguem viver sem um “amor”. Conhece? São várias, várias facetas: aquelas que acabam um namoro hoje e semana que vem já estão “enroladas”; aqueles que se apaixonam e acha que todo o planeta gostaria de estar no lugar deles; aquelas que vivem em função de encontrar um marido (mais sobre “A Sociedade Secreta das Housewives Wannabes*” em breve, não perca!); enfim, são vários os tipos, mas o que todas elas têm em comum é a crença de que é impossível você curtir a sua existência na Terra sem fazer parte de um casal. Você é um triste: deprimido, deprimindo e deprimente! Fingido, abandonado, que sorri na frente dos outros mas, na verdade, chora sozinho em casa todas as noites por não ter um alguém pra dividir os seus dias!

Ela voa com suas próprias asas!

And, Alice, where’s your hair?

Não, cara! Não! Resista à tentação de ofender abertamente estas pessoas, como já fiz eu por vezes. Pra começo de conversa, nem sempre elas estão erradas. Segundo, você não sabe o favor que está fazendo pra elas ao não reagir. É um jogo de paradoxos: o que atuar no assunto com mais afinco será o mais atingido por ele. “Ele” sendo o paradoxo. Bem resumidamente pra ninguém me chamar [muito] de maluco: se você entrar na defensiva e reagir, fica parecendo que você realmente tem algo a esconder, e age abertamente como a coisa que você nega ser; caso você não reaja, acredite quando digo que, em breve, você verá a pessoa que te chamou de triste por não estar em uma relação ficar triste por causa de uma relação. Prós e contras, certo? Os seus prós são os contras deles; e vice-versa!

Alice, where’s your teeth?

E não me venha falar que não se importa com o que “os outros” vão dizer, por favor. Você provavelmente vai. Eu já devo ter comentado sobre isso em outros posts, e não vou me repetir, mas grande parte das pessoas que falam isso não querem dizer isso. Mas dizem, só pra causar uma impressão de independência sobre as próprias pessoas cujas opiniões se afirma não se importar. Mas, sei lá, eu não conheço o mundo todo, não é? Vai que realmente existe gente que não sem importa com o que ninguém diz. Eu lembro daquele russo que descobriu um enigma de matemática e colecionava baratas…

Oh, Alice, where’s your lips?

Seja feliz, sinta-se feliz. Antes de sair de casa, analise como você gasta o seu tempo. Recebe muitos amigos? Perceba que você precisará preparar um ambiente pra recebê-los. Sai muito? Ah, meu velho, joga um colchão no chão e um copo d’água pra curar a ressaca, e você tá pronto! Nunca está sozinho em casa? Sei lá, considere morar com um ou mais amigos! São diferentes cenários, diferentes idéias; é só uma questão de analisar a própria vida e tomar uma decisão =;)

P.S.: Ah, e dinheiro, amigo. Não esqueça do dinheiro.

* And, Alice, where’s your man? ‘Housewives Wannabes’ vêm do inglês e, em tradução livre, seria ‘Pretendentes a esposas’, muito embora quem domine o idioma inglês provavelmente concorde que o termo em inglês passe uma idéia muito mais forte. Ou talvez só pra mim; sempre me vem à cabeça a imagem das mulheres do filme “Stepford Wives”;

A Benção da Ignorância

Eu estava pensando sobre o que comprar primeiro. Eu pensei tanto que dava pra ver a fumaça de longe. Foi quando meu pai apareceu. É uma coisa interessante: meu pai gosta de fazer inovações na casa. Tipo acordar com alguém batendo um martelo às 7 da manhã e, quando você se levanta com aquele bom humor matutino tradicional, o rapaz está mudando a planta de lugar, tipo tirando da varanda e pendurando num vazo na sala. Ou um espelho novo. Ou resolveu trocar o centro da sala. O problema é que a minha mãe passa muito tempo em casa, e faz essas coisas ela mesmo. Então, o que o meu pai faz?

Faz essas coisas no meu apartamento, claro.

Às vezes, ajuda. Exceto aquela vez em que ele quebrou o cano da pia (que, tecnicamente falando, embora eu não seja técnico no assunto, ainda está quebrado) ou quando ele resolve ignorar todos os fios do meu sensibilíssimo roteador de internet. Ele chegou ontem no meu escritório me dizendo que tinha ido lá em casa fazer o orçamento do meu condicionador de ar novo (que de novo não tem nada; ele ocupa uma parte da minha varanda, desligado há um ano). Basicamente eu vou precisar de um pedreiro pra furar metade do apartamento pra que o exaustor vá do meu quarto até a área de serviço, de um encanador pra encaixar a saída de água na tubulação do banheiro, ou coisa assim, e de um montador de condicionadores de ar. Meu papai querido me entregou um orçamento. Eu agradeci, respirei, sorri, e voltei ao trabalho.

Essa semana, no entanto, eu aparentemente comprarei uma cama nova. Eu ainda não sei o que farei com a minha antiga. Alguém compra essas coisas? Eu nem sei ainda o que vou fazer com os já mencionados fios e roteador; eles estão, ahm… “repousando” no chão, ao lado da cama. Eu acho que vou precisar comprar uma bancada pra encaixar naquele lado. E assim, começo eu a fazer o que eu não queria: mobiliar a casa pelo meu quarto.

Mas isso tudo são detalhes.

Hoje eu acordei e o sol ainda não tinha acordado, fui ler meu novíssimo livro, “O Império do Efêmero“, na rede, pra aproveitar o friozinho que o horário propicia a esse pântano onde eu moro. Fiquei viciado em ler; é um fenômeno interessante que me acomete a cada 3 anos, mais ou menos. O livro fala sobre um assunto bastante polêmico: moda. Adoro assuntos polêmicos. Claro, metade dos meus amigos e a totalidade dos meus conhecidos já colocaram minha heterosexualidade em questão, mas a gente aguenta esse tipo de coisa. Na época de Raul Seixas era careta alguém falar de amor, mas ele conseguiu chegar numa percepção boa das coisas, talvez eu consiga também. Mas o fato é que, enquanto eu lia o livro, eu cheguei a uma das minhas conclusões mais óbvias de 2011, que elucida o meu problema em querer comprar um tênis e/ou sapato há uns três meses e não ter comprado nada ainda. E, desde hoje cedo, eu gosto de pensar que ele soluciona também um pedacinho da simplicidade da complexidade do pensamento feminino no quesito “compras”.

Basicamente, eu só não consigo me decidir em um calçado e realizar de vez essa compra por que eu preciso comprar um só. Se eu pudesse comprar todos, não me restaria a minha própria tormenta com relação à minha decisão e as assustadores previsões das possíveis conseqüências em fazê-la, certo? No entanto, comprar todos me deixaria com uma consciência tremendamente pesada pelo altíssimo valor gasto em calçados. Provavelmente, a minha visão até pouco tempo preconceituosa sobre a moda e suas nuâncias me leva a subjulgar o valor de um calçado, o que me leva a sentir que gastei dinheiro com besteira. Então, se eu entender a moda, aceitar a moda como um fator necessário para atender os desejos de expressão e individualização da sociedade moderna e bla-bla-bla, estarei eu mais propenso a comprar os meus calçados sem peso na consciência?

Eu acredito que sim. O que está me deixando com muito, muito medo de continuar lendo esse livro…

Pressões e Impressões

Imprimir a sua personalidade no seu apartamento é um objetivo da maioria das pessoas que adquirem um imóvel. Algumas pessoas têm mais facilidade em transformar seus gostos e preferências em móveis e quadros e mesinhas e cores. Outras nem tanto. Seus gostos, no entanto, algumas vezes são contraditórios, ou, sem querer parecer muito fútil, não caem no agrado de qualquer um de seus amigos. Digo fútil, por que já me disseram que eu não deveria me importar com o que “as pessoas” pensam, sobre o que eu façou ou falo ou visto. Claro que essa é uma daquelas frases construídas que são repetidas aos quatro ventos sem que ninguém raciocine sobre o que está falando; e, por vezes, as pessoas que mais seguem este bordão são aquelas pessoas insuportáveis que falam gritando ou abrem um pagodão no som na mala do carro na mesa do lado da sua. Mas enfim, sem querer antecipar muitos julgamentos – até por que eles são a questão agora neste post, e eu odiaria adiantar minha opinião antes de adiantar o cerne da coisa -, eu estou me perguntando até que ponto a opinião dos meus futuros visitantes deve influenciar a minha decisão de decoração do meu apartamento.

Existem algumas pessoas que querem tão somente impressionar os visitantes. E não pensem que estas pessoas são infelizes em suas casas decoradas apenas para que os outros gostem, independente de seus gostos: elas se sentem bem sabendo que os outros se sentem bem e elogiam. É um estilo meio dependente de ser mas, ei, é um estilo. Eu pessoalmente prefiro comprar coisas que me agradem indiferente de terceiros. Tenho sido assim há vários anos, desde roupas até música, e, agora, no meu apartamento. E é a melhor maneira de ser, segundo a cartilha social de como um indivíduo deve ser, não é? “Seja você mesmo, independente dos outros” ou coisa assim. Todos pregam isso, mas será que alguém realmente é assim? É uma tremenda falta de senso prático.

Deveria fazer parte do caráter de um indivíduo a aceitação – ao máximo possível – dos valores dos outros, desde que esses outros não os tente impor sobre ele. Claro que todo mundo aceita o máximo possível que consegue – seja isso pouco ou muito, comparando as pessoas umas às outras. Vou dizer somente que quem aceita pouco os gostos dos outros, deveria esforçar-se mais. Na prática o que acontece é que pessoas de gosto semelhante se juntam para fazer graça dos gostos da minoria.

Todo essa drama é pra perguntar: você está pronto pra agüentar a opinião dos outros? Você está pronto pra pagar milhares de reais e ouvir seus amigos falando que a cor do sofá não combina com a do raque? Minha caríssima amiga e arquiteta Danielle Vilar anda me dando uma ajuda tremenda na minha sala, que já é grande parte da resolução dos meus problemas de aparência! Mas vocês devem saber bem que fazer sentido é o de menos quando se fala em opiniões: aparece gente pra dizer que branco não combina com preto e que laranja é cor de quem escuta Panic! At The Disco (bu-bu-bu-busted!).

Minha sincera recomendação? Dosagem. Por que, sinceramente, não vale muito a pena fazer uma área pra receber as pessoas se as pessoas não gostarem dela. Eu acho que sim, a menos que seu maior prazer seja tomar vinho, fumar maconha e colocar Radiohead pra rolar enquanto você mesmo rola pelo seu tapete novíssimo e felpudíssimo sozinho. Como este não deve ser o caso da maioria das pessoas, sugiro buscar balancear seus gostos com os gostos dos seus futuros visitantes. E, independente do seu gosto ou do deles, um PS3, uma TV LCD e um Home Theater.

Caso não tenham notado, este post está tão indeciso quanto eu. É o que acontece quando você resolve escrever no “durante”, por que escrever no “depois” é coisa de quem não se garante! Além do mais, vai ficar muito mais engraçado quando eu voltar pra ler isso ano que vem!

Bom, fiquem aí com os cariocas do The Twelves!

Ano novo, tudo velho!

Tudo velho!
Dois meses sem postar, dois meses sem escrever quase nada fora emails sem importância. Muita coisa estranha aconteceu nesses dois meses, mas nada que diminua um ser humano, posto que isso é muito difícil de se fazer. Mas talvez coincida com o fato de que eu ando triste com o meu apartamento, e, embora o blog seja um pouco mais abrangente do que isto, vendo o título eu lembro da minha empolgação nos primeiros dias morando sozinho. Eu ainda adoro morar sozinho, mas meu apartamento está… perdendo a graça.

Eu bem sei o motivo. Existem muitas coisas no meu apartamento que eu quero mudar, mas não mudei ainda. Não sei por onde começar e não começo por lugar nenhum. Aquele apartamento meio inacabado com o visual acabei-de-chegar-de-mudança só me trouxe conforto quando eu tinha acabado de chegar de mudança. Hoje em dia eu quero coisas bonitas, arrumadas, e eu não consigo dar o primeiro passo. É tudo um desafio; meu apartamento está me desafiando. Por onde começar? Mudanças cosméticas na sala pra receber visitas mais confortavelmente? Mudanças no meu quarto, onde eu passo a maior parte do meu tempo em casa? Ou na cozinha, já que eu eu adoro (mas com aquela cozinha terrível, *adorava*) cozinhar?

Eu posso não saber por que cômodo começar, ou se começar de fato por cômodos, mas de uma coisa eu sei: a primeira barreira é a moldura do condicionador de ar (eu já falei que odeio o nome desse aparelho? Deveria ser “Esfriador de Ambientes” ou coisa assim. But, I digress…). Semanas planejando comprar ou mandar fazer uma, e até agora, o espaço extra entre o condicionador de ar e o respectivo buraco-de-concidionador-de-ar onde ele se encontra está preenchido com um travesseiro velho. Chique, né? Tenho eu plena convicção de que, após a moldura do condicionador de… após a moldura do Esfriador de Ambientes, tudo vai andar!

Fora isso, eu estou resistindo bravamente aos serviços de um arquiteto. Primeiro por que eu tô liso. Segundo por que eu gostaria que as idéias do meu apartamento fossem minhas. Tá, esse segundo motivo eu inventei agora, eu tô liso mesmo. No mais, eu não tenho conseguido jogar, por que eu ando saindo todas as noites. Ando fazendo um trabalho bom em me livrar de tudo o que me irrita; exceto, até o momento, com a minha cama e o meu guarda-roupa, que continuam me irritando e eu ainda não me livrei deles.

Bom pessoal, vou voltar a manter uma consistência nas postagens. Não textual, claro. Todo mundo aqui sabe que meus posts são totalmente sem sentido. Mas digo, manter uma constância nas postagens. Eu gosto de pensar que falar besteira em blog é um trabalho social importante pra manter todos vivos em trabalhos possivelmente entediantes.

Ferro de passar. Eu esqueci de mencionar o ferro de passar? Eu vou comprar um ferro e uma tábua de passar roupa!

Mas não vou comprar máquina de lavar. Eu não.

O Anel

Se há uma coisa que tem muita simbologia na língua portuguesa é o Anel, neste texto, capitalizado. Capitalizado por dois motivos: um, respeito; dois, eu tô me acostumando a capitalizar os substantivos – mas esse vai ser o único, eu acho. Mas isso não é importante. Voltando. A simbologia mais intricada do Anel eu vou deixar pra cada um de vocês elaborar, mas eu gostaria de adentrar, se vocês me permitirem, em uma simbologia que me vem à mente, baseada primariamente no Senhor dos Anéis. Eu vou evitar elaborar muito, por que eu quero jogar, mas qual é, na opinião de vocês, a grande lição do Senhor dos Anéis? A meu ver, existe uma metáfora relativamente clara sobre a cegueira das pessoas diante de algo que elas consideram absurdamente valioso. Aquilo vira a sua vida, e sua vida anterior não existe mais; você acha que todos têm inveja de você, mas como não acharia? Aquilo é uma coisa única, não existe outro no mundo! E é seu. E é a melhor coisa que existe. Alguém está sempre com inveja ou tentando tomar de você. Por mais clássico que seja essa missconception, ela ainda é ridiculamente comum em nossos dias. É como tomar sol na praia antes das 15hs, ou cerveja: todo mundo sabe que faz mal, mas ninguém tá nem aí.

Eu tenho muito medo de falar “eu nunca faria isso”. Nesse caso em particular especialmente, posto que o indivíduo está sob efeito de uma cegueira, logo, ele não consegue mais ver a realidade. Eu imagino a mudança, sempre gradual, de um estado consciente pra o estado supracitado. Tive a oportunidade de analisar alguns casos, mas nunca prestei atenção no degradê. Tal estudo é uma arte, caros amigos, e aqueles que abandonam o self pra abraçar o whole são nossos heróis!

Em 7 dias estarei a 10 mil metros de altura a caminho do Sol e do Meu Apartamento. A viagem foi ótima – bom, ainda tenho mais uma viagenzinha nesse Sábado, vou conhecer Passau, na Bavaria – mas sempre chega a hora de voltar, certo? Na verdade, eu ando pensando muito que todo o dinheiro que eu não investi no Apartamento devido às economias desta viagem, vou poder usar de agora em diante. Sabe como é, somos seres humanos, e precisamos de um ambiente agradável pra viver, para nós mesmos, segundo para os amigos e terceiro para aqueles que, mais cedo ou mais tarde, revelar-se-ão não-tão-amigos-assim.

A pergunta que fica é exatamente a que fica para fins de namoro: você é capaz de abstrair todos os problemas atuais e pensar que o que importa é que, no passado, foi muito agradável? Ou você é daquelas pessoas que, diante da raiva atual, diz que vocês nunca foram amigos, que a mãe do invidíduo conhece intimamente todos os jogadores de futebol de algum time qualquer, sai por aí falando pra Deus e o Mundo (oops!) que seu ex-amigo faz xixi na cama, entre outras coisas de maturidade indubitável? Eu posso falar por mim: ex-namoradas ou ex-amigos, o que me importa são as lembranças – até as fotos, vá lá! =]

P.S.: Desculpem a mistura de assuntos, é que eu passei dois dias pra escrever esse texto. Tantas interrupções, tantas interrupções!