Envelhecendo

Li um artigo dia desses bastante interessante sobre “envelhecer”. Na verdade, foi a entrevista de um terapeuta sexual, mas a minha reflexão final foi sobre envelhecimento e relacionamentos. Parei pra pensar sobre como a maioria das pessoas tem escrito em pedra como a vida deve ser vivida, de acordo com a idade; ou, outras, sobre como se deve fugir do jeito que as pessoas acham que a vida deve ser vivida. Se possível, não tomem minhas palavras como escrituras em pedra, ou arriscamos cair na cilada que estamos tentando evitar.

É uma reflexão sobre referências de vida; sobre como, aos 40, dizemos que não estamos mais no auge, ou coisas do tipo. Nunca havia parado pra pensar sobre isso eu mesmo, ao invés de pensar que, quando chegarmos nos 40, estaremos vivendo uma nova fase, com novas propostas, novos desejos, novos desafios e bla-bla-bla. O que permanece é uma saudade dos tempos que não voltam mais, como se a vida durasse, na verdade, 10 ou 15 anos, começando ali pelos 20. Que existe vida aos 40, todos nós sabemos; mas eu falo sobre coisas que começam aos 40 (tomei os 40 anos de maneira arbitrária, por se tratar, a meu ver, de um divisor de águas entre duas fases da vida, o que é uma fase especial por si só).

Coloquei em perspectiva: seria um medo perpétuo do futuro e um saudosismo infinito de dias onde tudo ocorreu bem? Eu sempre apliquei esse tipo de raciocínio desesperado por “estabilidade” (necessidade essa oriunda do pós-guerra e não mais cabível aos dias de hoje; os jovens simplesmente herdaram o desespero) a empregos públicos via concursos – de maneira meio irresponsável, admito – mas nunca o apliquei a visões de vida e razões para se existir. Desde uns poucos dias, parece-me fazer sentido: eu passei do passado, cá estou no futuro – fui, então, bem sucedido em sobreviver e viver; mas e o futuro? Posso, quem sabe, me dar bem; posso, talvez, me dar mal. “Ah, que saudades dos meus 25 anos, quando eu era jovem e namorador (e tudo deu certo na vida, posto que estou aqui)”. Quem tem coragem de admitir que precisamos da incerteza pra continuar andando? Que a possibilidade de não se dar bem no futuro é o principal motor do indivíduo? Quem está pronto pra admitir que precisamos de problemas pra apreciar a paz?

E assim os dias passam.

Ah, e independente do título um tanto quanto “infeliz”, pra quem gostar de se aventurar no inglês, recomendo a leitura da entrevista clicando aqui.

O vídeo abaixo, produzido pela Box1824 e entitulado “All Work and All Play” (tradução livre interpretativa minha: Tudo é Trabalho e Tudo é Diversão) faz você pensar sobre estas e outras coisas. Pois eu, assim como o vídeo, venho apenas trazer minha visão e minha interpretação, e incentivo você a considerar estas idéias para criar a sua própria, quem sabe, aproveitando ou rejeitando as nossas =]