Das Leben Der Anderen (A Vida dos Outros)

Alemanha. Europa.

Certo, faz um tempo que eu não atualizo. Verdade. Eu estou neste momento na casa de Daniela Lutz, uma pessoa muito bacana que no momento namora o camarada Thomas. É, eu não sei o sobrenome dele, mas a casa dele é bem legal! Enfim… eu tenho milhões de coisas pra falar, literalmente. Passei o dia pensando sobre quais delas iria escrever, mas eu não cheguei a nenhuma conclusão, então vou só fazer o que eu sempre faço: go with the flow. O que vier, veio; o que não vier, fica pra próxima.

Em primeiro lugar, eu descobri que eu tenho medo de um conjunto de coisas que, em conjunto, eu definiria como “medo do desconhecido”. Certamente isso é normal pra quase todo mundo, em maior ou menor escala. Pra mim, é em maior escala. Eu que sempre me achei um cara “relax”, percebi que não é ocasional o meu desespero quando eu perco o controle das coisas. Não ter certeza do futuro mais próximo me é apavorante. Será que o hostel vai prestar? Será que esse ônibus vai dar no lugar certo (o diabo é quem fala húngaro!)? Onde diabos eu estou? Como eu chego em ca-errr, no hostel? VÃO ME DEIXAR ENTRAR NO PAÍS?

Eu consigo sentir alguns desses medos sendo derrubados. Pode parecer ridículo, mas 3 anos atrás eu não teria coragem de pegar um trem sozinho na Alemanha em direção a qualquer lugar. Eu vou pegar o trem errado. Eu não vou achar o lugar de pegar o trem. E depois, como eu vou voltar pra casa carregando uma mala e uma mochila? Muitas perguntas que, sim, tem fundamento, mas não, não devem segurar um indivíduo enraizado num lugar. Durante um breve tour de 2 semanas e meia pela Europa eu comecei a perder a noção de “casa”. Mas, se bem me lembro, isso só começou a acontecer no ante-penúltimo dia de viagem. Talvez seja só um mau-costume. Um mau-costume de achar que eu tenho andado sem rumo e sempre consegui voltar pra casa; logo, eu sempre conseguirei voltar pra casa.

“Casa”. Usei sem perceber na última linha do parágrafo anterior, e isso descreve perfeitamente o que o parágrafo anterior quis dizer. O que é “casa”? Eu acho que, hoje, eu diria que casa é onde você é bem-vindo; seja pagando ou não. E isso ilustra também o que me ampara hoje em dia: dinheiro. Não importa se eu vou me perder em Berlin; eu tenho dinheiro pra pegar um Táxi de volta pra onde eu quiser. Não me importa se eu nem tiver o endereço ainda; eu posso pagar algumas noites num Hotel e um trem de volta pra alguma outra “casa”.

Mas eu diria que essa não é a vida pra mim, embora seja relativamente tentadora. Eu não consigo. Eu simplesmente não consigo ver uma cidade, gostar dela, e perceber que eu vou embora em 24 horas. Eu preciso saber a história, o que fazem, como se divertem, o que comem, como amam. Esse sou eu! Mil pessoas andam por aí, enchendo a boca pra falar sobre oportunidades únicas e rir dos seus maneirismos, como se os delas fossem comprovadamente melhores, simplesmente por serem mais amplamente aceitos. Eu quis aprender eslovaco; aprendi algumas palavras inclusive! Húngaro não, Budapeste me assusta. Se quero ir a Praga? Claro que quero! Mas eu nem conheço a Alemanha ainda!

Quinta vou a Berlin. Pretendo ir a Hamburgo, a Bremen. Gostaria de ver Köln e Heidelberg antes de voltar pra uma das minhas tantas casas em Natal. Vou também a Passau, cidade pequenininha, visitar uma amiga que só conheço pela internet. Infelizmente, acho que não irei à Polônia. Mas deve ser melhor assim.

Vou finalizar com um parágrafo meio nada-a-ver com o resto do texto, tá? É uma cosia que eu escrevi no Facebook hoje, que reflete a minha situação atual por aqui. Eu acho que a pessoa só consegue ser feliz com outra quando ela sabe ser feliz com ela mesma. Essa baboseira de “eu quero alguém que me complete” é coisa de gente que não consegue ser feliz com eles mesmos e ficam procurando alguém feliz pra resolver os problemas deles.

Auf Wiedersehen! =]

Oans, Zwoa, Drei, G’Suffa!

Oi!

Olha so, voces vao me desculpar mais alguns dias, mas eu to num hostel no momento, e meu laptop ficou em Frankfurt. Nao estou em condicoes de atualizar o blog por enquanto! Como voces podem notar, eu nao estou nem conseguindo usar acentos nesse teclado maravilhoso, e so tenho 12 minutos de internet sobrando.

Mas so pra atualizar rapidamente, chegamos dia 1 em Frankfurt, Phanie e eu, e encontramos Leo. Katha, o pai dela e a Malli foram nos pegar no aeroporto, fomos pra Seligenstadt. Ficamos la ate o dia 3 (com direito a um tour em Frankfurt e uma festinha brasileira em Seligenstadt), e pegamos um trem de Frankfurt pra Munchen. Chegamos aqui no domingo, pegamos um dia muito bom e ensolarado pra Oktoberfest. Depois viemos pro Hostel, passamos a noite por aqui, e fomos de novo pra Oktoberfest na Segunda. Foi bem mais ‘familia’, mas foi otimo. Conhecemos tres brasileiras – uma paulista, uma carioca e uma mineira. Conversamos bastante e tudo mais.

Agora estamos aqui mandando noticias pra casa e nos preparando pra pegar um trem pra Vienna, Austria. Vamos ficar ate amanha, dormiremos num hostel (acabamos de receber um email dizendo que tem uma cama pra mim lah =D) e, depois, rumo a Bratislava, na Slovakia!

Bom, eh isso. Boa semana pra todos voces e ate mais ver!

Unterwegs

Querido Blog,

Faltam três dias para o dia da minha viagem. A viagem vai ser ótima, com certeza, mas eu ainda tenho medo de algumas coisas. Eu nem ao menos sei se eu tenho dinheiro o suficiente pra viver esses dois meses que eu decidi passar longe. Não vai ser bom pra empresa, também, que eu fique dois meses longe das minhas atividades. Mas há quase 3 anos eu não tiro férias, eu acho que estou precisando disso.

Estou indo pra Europa. Eu estou pronto pra ter todos os meus conceitos mudados, muito embora eu não ache que todos irão – mas, provavelmente, muitos deles sim. Quero dizer, é como a mulher, o carro ou a casa que você não tem: sempre parecem melhor do que realmente são. Mas na prática, existem outros problemas – ou os mesmos – com os quais se deve conviver. Eu sei de tudo, e, muito embora pessoas achem que eu não sou patriota, que eu “nasci no país – nay, no continente – errado”, eu discordo. Favor, pessoas, não confundir críticas em excesso com falta de patriotismo, pois eu sou patriota até demais.

Eu estou de saco completamente cheio de diversas coisas desta cidade. Coisas de eu já desisti de tentar entender e elaborar (você vai envelhecendo e, à partir do finalzinho da faculdade, ninguém mais aceita nenhuma explicação de nada se você não for doutor no assunto mesmo), e agora eu apenos aceito como fatos, assim como câncer ou topadas no dedão.

Aliás, o que aconteceu com aquelas amizades que se fortalecem com o passar do tempo? Não quero aqui me colocar como o centro da perfeição da raça humana, até por que eu estou fazendo minha parte em fazer as coisas erradas. Entre solteiros, casados e indivíduos que simplesmente não conseguem ver o mundo sem que o objetivo seja sexo, estamos todos numa Deer Dance, corpos gravitando em suas órbitas, distanciando-se sistematicamente uns dos outros, enquanto outros se aproximam por motivos caóticos, beirando o involuntário. Claro que a gente sempre mantém aquele grupo há anos, né? Mantenham os de vocês; eu tô mantendo o meu!

Mulheres. Ah, as mulheres. Percebam que imagem não possuem sentimentos nem emoções; você é quem as tem. Palavras complicam um pouco mais as coisas, mas não foge absurdamente da mesma lógica. Você viu ou ouviu algo de uma mulher que atrái seu interesse, mas quem criou um sentimento para tudo isso foi você, e não ela. Ahh, “Despair… so delicious!“. Aquela coisinha dentro de você que se debate incontrolávelmente diante da incapacidade de fazer qualquer coisa. É, passei por coisa semelhante ontem a noite! Sabe o que eu recomendo?

Vá pra casa. Ou pra casa de algum amigo. Ou, você sabe… vá pra Europa!

Enfim pessoal, eu espero que nos próximos dias eu esteja atualizando o blog como um diário de viagens. Talvez não diário de verdade, mas… freqüentemente pretendo postar coisas por aqui. Quando eu voltar, o blog volta ao normal!