Unterwegs

Querido Blog,

Faltam três dias para o dia da minha viagem. A viagem vai ser ótima, com certeza, mas eu ainda tenho medo de algumas coisas. Eu nem ao menos sei se eu tenho dinheiro o suficiente pra viver esses dois meses que eu decidi passar longe. Não vai ser bom pra empresa, também, que eu fique dois meses longe das minhas atividades. Mas há quase 3 anos eu não tiro férias, eu acho que estou precisando disso.

Estou indo pra Europa. Eu estou pronto pra ter todos os meus conceitos mudados, muito embora eu não ache que todos irão – mas, provavelmente, muitos deles sim. Quero dizer, é como a mulher, o carro ou a casa que você não tem: sempre parecem melhor do que realmente são. Mas na prática, existem outros problemas – ou os mesmos – com os quais se deve conviver. Eu sei de tudo, e, muito embora pessoas achem que eu não sou patriota, que eu “nasci no país – nay, no continente – errado”, eu discordo. Favor, pessoas, não confundir críticas em excesso com falta de patriotismo, pois eu sou patriota até demais.

Eu estou de saco completamente cheio de diversas coisas desta cidade. Coisas de eu já desisti de tentar entender e elaborar (você vai envelhecendo e, à partir do finalzinho da faculdade, ninguém mais aceita nenhuma explicação de nada se você não for doutor no assunto mesmo), e agora eu apenos aceito como fatos, assim como câncer ou topadas no dedão.

Aliás, o que aconteceu com aquelas amizades que se fortalecem com o passar do tempo? Não quero aqui me colocar como o centro da perfeição da raça humana, até por que eu estou fazendo minha parte em fazer as coisas erradas. Entre solteiros, casados e indivíduos que simplesmente não conseguem ver o mundo sem que o objetivo seja sexo, estamos todos numa Deer Dance, corpos gravitando em suas órbitas, distanciando-se sistematicamente uns dos outros, enquanto outros se aproximam por motivos caóticos, beirando o involuntário. Claro que a gente sempre mantém aquele grupo há anos, né? Mantenham os de vocês; eu tô mantendo o meu!

Mulheres. Ah, as mulheres. Percebam que imagem não possuem sentimentos nem emoções; você é quem as tem. Palavras complicam um pouco mais as coisas, mas não foge absurdamente da mesma lógica. Você viu ou ouviu algo de uma mulher que atrái seu interesse, mas quem criou um sentimento para tudo isso foi você, e não ela. Ahh, “Despair… so delicious!“. Aquela coisinha dentro de você que se debate incontrolávelmente diante da incapacidade de fazer qualquer coisa. É, passei por coisa semelhante ontem a noite! Sabe o que eu recomendo?

Vá pra casa. Ou pra casa de algum amigo. Ou, você sabe… vá pra Europa!

Enfim pessoal, eu espero que nos próximos dias eu esteja atualizando o blog como um diário de viagens. Talvez não diário de verdade, mas… freqüentemente pretendo postar coisas por aqui. Quando eu voltar, o blog volta ao normal!

“The Carpal Tunnel of Love”

Todo mundo tem aqueles momentos de pensar “Is this real life?”. “Is this going to be forever?”.

Claro, nessas horas, ajuda muito se você tiver absurdamente chapado.

Mas se eu puder dar um conselho pra vocês, nunca tentem racionalizar sobre o amor. Não é apenas inútil – é danoso. Não há absolutamente nada de racional nele. Estou tentando caracterizá-lo como uma doença junto a um corpo médico, mas os esforços não andam muito bem; médicas não são imunes à doença. OH SNAP!

(A frase anterior tem um significado obscuro muito engraçado. Podem rir, eu garanto que foi digno de um High Five!)

Eu acho até engraçado quem se desespera com esse tipo de coisa. Você está solteiro e se preocupa exageradamente por não ter uma namorada; ou você está namorando e sente saudades das farras de solteiro. Da Lama ao Caos, do Caos à Lama, ou algo assim. Eu acho engraçado justamente por que ninguém acredita em mim quando eu digo que não estou preocupado com isso. É parte do amor fazer você acreditar que todos os outros coitados que “não têm quem amar” estão sofrendo em silêncio.

O momento chega, pessoas. O momento vai chegar. E sabe o que você terá feito quando o momento chegar? Vai ter somente esperado por ele. E aí, com o passar de alguns aninhos, surgem aquelas frases “Casar? Mas e minha liberdade, tantas coisas que eu queria fazer e ainda não fiz!”. E é aí que você percebe que ou vai ser um casado frustrado, ou vai acabar perdendo talvez uma ótima mulher devido às coisas que você acha que deveria ter feito, e não fez ainda. Eu já consigo imaginar a minha futura esposa querendo tirar os meus livros da sala, mudar o formato computadorcêntrico do meu quarto, ocupar as duas prateleiras da minha geladeira que eu guardo exclusivamente pra cervejas e guardar a minha camisa assinada por todos meus amigos e amigas em 2001 da minha parede! Eu não quero nem COMENTAR o bonequinho de papel do Darth Vader que o João Paulo me deu antes de ir pra Minas………

Morar sozinho é um constante exercício de auto-conhecimento. Tanto pelas coisas que você se descobre permanentemente indisposto a fazer, como pelas coisas que você pensa enquanto está só com sua sombra. E eu tenho certeza que muitos dos meus 2 ou 3 leitores imagina que morar sozinho deva ser uma overdose de solidão. E eu respondo: você PRECISA conhecer isso sobre você mesmo. Você não se conhece até saber se você é feliz sozinho; ou, pelo menos, ter a noção prática e clara do que você precisa em uma “parceira de casa”. Eu por acaso sou o único que pensa que o casamento não é um “próximo-passo” do amor, mas sim uma espécie de contrato social? Está provado que 83% das mulheres preferem uma viagem a Paris do que um casamento.

Pois bem, mudando um pouco o foco – mas não o assunto -, eu conheço muita gente que tem medo de morar sozinha. Medo, de qualquer coisa, de ladrões às responsabilidades, passando por desentupir a pia e instalar a máquina de lavar. Apartamentos são relativamente mais seguros do que as casas, posso afirmar (e é levemente lógico, né?). Mas se você for morar numa casa, cuidado pra não ser em Lincoln Park*… 😉

* Explicação no vídeo aqui, calma, não se desespere.